| Os rumos do agronegócio em 2009 dependem da capacidade
do setor de vencer importantes desafios. A economia mundial
será marcada este ano por recessão nos Estados
Unidos, na Europa e no Japão acompanhada de queda no
ritmo de crescimento na China, Rússia e Índia.
O setor vai depender da capacidade financeira dos produtores
para custear a atual safra diante da escassez de crédito
agrícola, como também de suas habilidades para
superar a elevação dos custos de produção
e a queda dos preços no mercado internacional. Mas
alguns fatores positivos podem transformar a crise global
numa boa oportunidade para os produtores brasileiros.
As exportações de agronegócio não
vão estar, com certeza, tão favoráveis
quanto às de 2008. No ano passado, o Brasil exportou
US$ 71,9 bilhões no agronegócio, segundo o Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Esse valor
é 23% superior ao do ano anterior e uma marca histórica
para o País.
O superávit na balança comercial do setor alcançou
US$ 60 bilhões. As vendas para o mercado chinês
aumentaram 70%. Com isso, a China passou a ocupar a primeira
posição no ranking dos mercados consumidores
de produtos do agronegócio brasileiro. O Brasil, no
entanto, ampliou o comércio com todos os blocos econômicos,
com exceção do Nafta, formado por Estados Unidos,
Canadá e México.
O ambiente é de muita incerteza em relação
aos preços na hora de comercialização
da safra e de preocupação com a escassez de
crédito para financiar a safra 2008/2009. Uma crise
agrícola vai depender muito da relação
entre preços pagos aos produtores e os custos de produção.
Alguns indicadores mostram desvantagens para os agricultores,
como a pesquisa da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Com base no levantamento mensal dos Índices de Preços
Agrícolas, o estudo realizado pela UFLA revela que
os custos de produção, no setor agrícola,
superaram, em média, os preços pagos ao produtor
rural na venda de seus principais produtos. O Índice
de Preços Recebidos (IPR) pelo produtor subiu 3,88%,
enquanto o Índice de Preços Pagos (IPP) pelos
insumos agrícolas aumentou 9,85%.
A pesquisa da Universidade mostra também uma tendência
de queda nos custos de produção, iniciada no
final do ano passado. O setor agrícola começou
2009 com queda nos custos de produção, embora
num ritmo menos acelerado do que o de dezembro.
O preço do fertilizante havia ficado 15,6% mais barato
em dezembro. O recuo em janeiro de 2009 foi de apenas 0,01%,
praticamente uma estabilidade. Outros produtos, como rações,
herbicidas, vermífugos e vacinas mantinham o índice
de queda. O estudo constatou também ligeira recuperação
dos preços pagos ao produtor. O IPR subiu 2,56% em
janeiro.
Com instrumentos de política agrícola, como
preços mínimos e recursos para a comercialização,
além de boa vontade política para colocar tudo
isso em prática, esses problemas podem ser contornados.
Boas notícias
Em meio a tantas turbulências, há boas notícias
e fatores positivos que podem ajudar a reverter essa situação
negativa. O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues,
por exemplo, destaca como um deles o aumento, nos próximos
anos, da demanda mundial por produtos agrícolas, como
alimentos fibras e energias.
A população do planeta, segundo a Organização
das Nações Unidas (ONU), vai chegar a 8,3 bilhões
de pessoas até 2025, aumento de 30% em relação
a 2000. Esse contingente de 2 bilhões de pessoas a
mais vai estar na Ásia, África e América
Latina, continentes mais pobres. A renda per capita nesses
países também deve crescer quase três
vezes mais do que nos países ricos. Portanto, conclui
Roberto Rodrigues, é nesses países que se dará
o aumento de consumo agrícola.
Essa conclusão do ex-ministro vai ao encontro dos
resultados da balança comercial do agronegócio
que nos últimos sete anos registrou aumento das exportações
para os países em desenvolvimentos duas vezes mais
do que para os países ricos.
Autoridades brasileiras também tentam vislumbrar um
cenário mais positivo. O secretário de Relações
Internacionais do Agronegócio, do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Célio
Porto, a capacidade competitiva do Brasil vai contribuir para
sua permanência à frente do agronegócio
no comércio mundial. Na baixa de preços, argumenta
o secretário, os menos competitivos são os primeiros
a se retirarem do mercado.
Sua expectativa é de retomada das vendas de carnes
suína e bovina para a China e a África do Sul
e que o Brasil inicie também a exportação
de lácteos para a Rússia e China. Essas e outras
iniciativas podem transformar a crise global na oportunidade
para o agronegócio brasileiro. No Agrocircuito –
O Portal do Agronegócio do Circuito das Águas
- os produtores da região vão encontrar ao longo
de 2009 informações, idéias e artigos
que podem também ajudar a transformar a crise numa
boa oportunidade de expansão dos negócios.
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nas cidades do Circuito das Águas
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